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90% dos Roteiros de Viagem feitos por IA estão Errados

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Você já pediu para uma Inteligência Artificial (IA) montar um roteiro e, no fim, se pegou pensando: “isso está certo?”. Pois é, você não está sozinho. Neste post eu vou explicar por que 90% dos roteiros de viagem feitos por IA estão errados, mostrar casos reais, e ensinar passo a passo como aproveitar a rapidez da IA sem cair nas armadilhas mais comuns. Além disso, trago prompts práticos, checklists e um exemplo real de correção de roteiro. Vamos lá.

A promessa é tentadora: diga suas preferências, datas e orçamento, e a IA devolve um itinerário pronto em minutos. Contudo, essa velocidade esconde riscos. Em muitos casos, a IA mistura dados desatualizados, prioriza resultados incorretos ou até sugere lugares fechados. Então, antes de clicar em “reservar”, leia isto.

roteiros de viagem por IA estão errados

Por que 90% dos roteiros gerados por IA falham

Primeiro, precisamos entender o mecanismo: a maioria dos modelos de linguagem prediz palavras com base em padrões presentes nos dados em que foram treinados. Em outras palavras, a IA gera respostas plausíveis, não necessariamente verificadas.

Além disso, muitos modelos não acessam — ou não priorizam — informações em tempo real. Portanto, quando a IA recomenda horários, restaurantes ou rotas, ela pode se apoiar em páginas antigas, conteúdos indexados com atraso ou agregadores que não atualizam com frequência.

Por exemplo, há relatos de roteiros que indicaram visitas a museus no dia em que esses museus fecham, ou restaurantes que mudaram de conceito ou até já fecharam a mais de u mano. Logo, a consequência é óbvia: roteiro bonito, rápido, porém impraticável.

Testes que mostram o problema

Eu mesma fiz alguns testes pedindo para a I.A. montar alguns roteiros em cidades que eu já conheço, para poder avaliar o que de melhor ou pior ela sugeria:

Roteiro em Paris

Pedi para a IA montar dicas de uma viagem a Paris. A versão mais recente do ChatGPT avisou para visitar o Museu d’Orsay numa segunda-feira, dia em que muitos museus fecham, inclusive o Museu d’Orsay.

Além disso, quando pedi restaurantes a 10 minutos da Torre Eiffel, a IA listou algumas opções a mais de 20 minutos a pé. O resultado? Se seguisse as dicas, iria perder tempo e confiança.

Roteiro em Cracóvia

Pedi também um roteiro de 4 dias em Cracóvia baseado em locais de importância histórica. A IA montou um plano que parecia fluir bem, indicou locais realmente dentro do pedido mas as atrações dentro de 1 dia eram muito poucas e você acabaria com meio dia à toa . Assim, dá para ver que a IA funciona quando os dados necessários são padrões estáveis e quando o viajante checa detalhes, mas quando nunca se viajou para o local, o tempo e quantidade de visitas em 1 dia pode ser muito pouco ou muito longo, e isso só que já esteve no local para saber.

E mais testes

Já testei várias vertentes de pesquisa e pedidos de roteiros e na maioria dos casos encontrei problemas sistemáticos: recomendações de locais fechados permanentemente, horários e valores errados, atrações fora do horário de funcionamento e até sugestões influenciadas por campanhas de marketing. Por isso, cada vez que a IA sugere “o melhor”, você precisa verificar.

Onde a IA acerta — e onde ela tropeça

A IA possui pontos fortes importantes. Ela agrupa informações, sintetiza rotas, propõe combinações e poupa horas de pesquisa. Por outro lado, ela tropeça em questões práticas:

  • Acerta: ideias iniciais, roteiros macro, identificação de atrações principais e combinação de temas (arte + gastronomia, por exemplo).
  • Tropeça: horários em tempo real, mudanças locais (fechamentos, obras), sazonalidade, eventos que impactam logística (greves, festivais), e recomendações economicamente enviesadas por anúncios.

Além disso, a IA tende a replicar “roteiros médios”, o que causa a tal “fadiga algorítmica”: todo mundo recebe as mesmas sugestões de atrações e restaurantes “imperdíveis”. Portanto, se você busca originalidade, a IA exige edição humana.

O problema da má informação (e como ela se espalha)

A má informação vem de três fontes principais:

  1. Dados desatualizados: a IA usa páginas antigas que permanecem indexadas.
  2. Vieses comerciais: a IA pode priorizar locais com forte presença digital (ou anúncios), e não o melhor custo-benefício.
  3. Generalização: modelos médias e padrões, o que resulta em roteiros “genéricos”.

Consequentemente, usuários confiam na linguagem confiante da IA e não fazem checagens. Porém, essa confiança pode transformar um passeio em frustração.

Guia rápido: como usar IA sem ser enganado

A seguir, um conjunto de regras práticas e imediatas que você pode aplicar agora mesmo.

1) Comece com a IA, finalize com humanos

Use a IA para brainstorm e estrutura. Depois, confirme com sites oficiais, avaliações recentes e blogs. Assim, você ganha velocidade sem perder precisão.

2) Seja específico no prompt

Prompts genéricos geram respostas genéricas. Portanto, preferencialmente use algo como:

“Planeje 5 dias em Buenos Aires para um casal que gosta de culinária típica, vinhos e livrarias independentes. Evite lugares turísticos lotados e inclua opções a até 20 minutos a pé do centro.”
“Planeje 5 dias na Disney, para um casal sem filhos, que adora brinquedos radicais e cheios de adrenalina, evite atrações muito infantis.”

3) Cheque reservas, horários e logística

Confirme horários, necessidade de reservas, e tempos reais de deslocamento em apps de trânsito e sites oficiais. Além disso, verifique feriados locais e eventos que possam alterar a rotina.

4) Compare múltiplas fontes

Peça à IA três alternativas e compare com avaliações recentes, blogs e comentários no Google/TripAdvisor. Por exemplo, se um restaurante aparecer repetidamente em recomendações monetizadas, procure reviews independentes.

6) Entenda o viés comercial

Se a IA favorecer certas cadeias ou hotéis caros, investigue por que: SEO? Anúncios pagos? Avaliação inflada? Lembre-se: o algoritmo não “te ama” — ele prioriza padrões.

Prompts práticos (modelos que você pode copiar)

Use estes modelos e adapte ao seu destino:

  1. Prompt básico e seguro:
    “Crie um roteiro de 4 dias em XXX para dois adultos que gostam de história e comida local. Priorize bairros autênticos, sugira 2 restaurantes por dia dentro de R$XX–R$YY e informe horários e site oficial de cada atração.”
  2. Prompt “verificação” (peça fontes):
    “Liste 8 atrações para 3 dias em XXX. Para cada atração, indique a fonte (link), horário de funcionamento atualizado e se exige reserva.”
  3. Prompt local + logística:
    “Monte um dia em XXX que comece às 09:00 e termine às 20:00. Minimize deslocamentos a pé maiores que 20 minutos; indique tempo de caminhada entre paradas.”
  4. Prompt contra vieses:
    “Crie um roteiro sem usar as principais listas ‘top 10’ do Google. Em vez disso, recomende lugares com avaliações locais recentes, preferindo negócios independentes.”

Seja o mais específico possível. Outra alternativa é usar a IA apenas para uma pesquisa prévia e então você montar o seu próprio roteiro:

  1. Prompt de atrações: “Quais as 5 (ou 10) atrações imperdíveis em XXX para quem ama museus”
  2. Prompt de restautantes: “Crie uma lista dos 5 melhores restaurantes de XXX separados por tipo de comida e preço”

Vá testando o que funciona e nunca esqueça de checar as informações.

Dicas avançadas para viajantes que querem ir além

  • Use várias IAs: compare respostas entre modelos diferentes; inconsistências sinalizam pontos a checar.
  • Peça que a IA gere alternativas “low cost” e “premium” e compare.
  • Peça horários detalhados e solicite fontes — muitos modelos conseguem formatar resposta com links (quando suportado).
  • Crie prompts que mencionem sazonalidade: “Evite viagens a áreas com chuvas fortes em X mês.”
  • Automatize checagens com bots locais: em alguns destinos, serviços de mensagem local confirmam horários em tempo real.

O veredito: usar IA com cautela

A IA oferece uma vantagem enorme: velocidade e capacidade de combinar preferências. No entanto, ela ainda não substitui a verificação que só humanos, moradores e fontes oficiais conseguem entregar. Portanto, trate a IA como um assistente inteligente, mas não como autoridade final.

Assim, em vez de descartar a tecnologia por completo, aproveite-a para ganhar tempo e gerar ideias; em seguida, invista 10–30 minutos na verificação crítica de cada ponto sensível do roteiro. Dessa forma, você reduz erros e maximiza boas experiências.

Conclusão

A tecnologia mudou a forma como planejamos viagens, porém ela não domina todos os assuntos. Pelo menos, ainda não. Por isso, 90% dos roteiros de viagem de IA podem estar errados, mas você pode neutralizar grande parte desse problema com alguns passos simples: prompts melhores, checagem de fontes e uso combinado de humanos e IA.

E você? Já teve uma experiência em que a IA te deixou na mão — ou salvou o dia? Conte aqui nos comentários. Eu quero ler suas histórias e aprender com cada uma!

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Paula e Roger

Um casal que ama viajar e resolveu compartilhar o mundo pela internet.

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