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Cracóvia, Polônia – Lugares sobre a Segunda Guerra Mundial

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Cracóvia é popular entre os turistas por sua bela arquitetura, charmoso centro histórico e imensa cena gastronômica. E Cracóvia é linda; isso é inegável, especialmente em termos de arquitetura. E já falamos algumas vezes que é uma das nossas cidades preferidas do mundo. O centro histórico de Cracóvia tem prédios renascentistas, barrocos e góticos de sobra. E Cracóvia tem alguns locais para conhecermos mais sobre a Segunda Guerra Mundial.

Há um lado obscuro no turismo de Cracóvia. Essa história não está escondida: é o foco de vários museus populares de Cracóvia, assim como alguns locais menos visitados. 

segunda guerra mundial cracóvia

Estamos, é claro, falando sobre o Holocausto. A parte mais pesada da história de Cracóvia acabou se transformando em um dos principais motivos que levam tanta gente até lá. Para você ter uma noção, dos 9,6 milhões de viajantes que passaram pela cidade em 2018, mais de 2,15 milhões deram um pulo em Auschwitz, que fica a aproximadamente 75 quilômetros de distância. Em outras palavras, muita gente escolhe Cracóvia justamente para mergulhar nos acontecimentos que marcaram a Segunda Guerra Mundial e entender, de forma mais concreta, como tudo se desenrolou.

Quem gosta de história costuma sentir uma curiosidade enorme por esse período, especialmente pelo Holocausto. Não é difícil entender o motivo. Afinal, os impactos desse capítulo ainda ecoam e continuam influenciando debates, pesquisas e reflexões sobre direitos humanos. Por isso, documentários, filmes e visitas a locais históricos seguem extremamente populares, já que ajudam a visualizar o que muitas vezes só conhecemos pelos livros.

Mesmo que o povo polonês tenha enfrentado desafios também depois do fim da guerra, aqui o foco fica nos museus e pontos históricos de Cracóvia ligados à ocupação nazista, ao Holocausto e aos acontecimentos da Segunda Guerra Mundial. Esses espaços, além de muito bem preservados, oferecem uma oportunidade real de compreender, com profundidade, um dos momentos mais devastadores da humanidade.

Além disso, eles ajudam a contextualizar o papel da região durante o conflito e mostram como Cracóvia se tornou um destino essencial para quem busca turismo histórico sem abrir mão de uma experiência cheia de significado.

Consequentemente, visitar esses lugares vai além de uma simples parada turística. A cada sala, painel e exposição, o viajante percebe como o passado continua vivo e entende melhor por que Cracóvia se tornou um ponto tão importante para quem deseja refletir, aprender e viajar com propósito.

Confira nosso roteiro de 3 dias em Cracóvia para mais informações sobre o que fazer na cidade.

História de Cracóvia na Segunda Guerra

Depois de invadirem Cracóvia em 6 de setembro de 1939, os nazistas não perderam tempo em mudar o status da cidade. Logo a proclamaram como a nova capital do Governo Geral, uma administração criada pelos alemães para controlar os territórios ocupados durante a Segunda Guerra Mundial.

Sob a liderança do recém-nomeado Governador Geral, Hans Frank, os alemães foram ainda além: passaram a afirmar que Cracóvia não era apenas uma cidade ocupada, mas sim uma “antiga cidade alemã”. Para reforçar essa narrativa fabricada, as autoridades nazistas rebatizaram todas as ruas com nomes alemães e espalharam propaganda dizendo haver “provas científicas” que justificavam a reivindicação da Alemanha sobre Cracóvia.

Essa tentativa de reescrever a história não apenas marcava a presença nazista, mas também deixava claro o tipo de controle ideológico que o regime buscava impor à região.

Renomear Cracóvia como capital nazista manteve a cidade segura, enquanto cidades como Varsóvia foram quase arrasadas.

Mas isso não quer dizer que os habitantes de Cracóvia tenham escapado do sofrimento imposto pelo regime nazista. Mesmo preservada fisicamente, a cidade viveu momentos profundamente sombrios. A comunidade judaica, que era parte essencial da vida local, foi forçada a viver confinada no Gueto de Cracóvia, cercada e isolada do restante da população.

Além disso, durante a guerra, a maioria dos ocupantes judeus de Cracóvia foi transferida para vários campos de concentração, como Płaszów e o vizinho Auschwitz. Muitos até acabaram indo para Terezín, que era frequentemente usado como campo de transferência.

Viagens de um dia sobre a Segunda Guerra Mundial saindo de Cracóvia

Normalmente, eu deixaria os passeios bate-volta para o final da lista. Mas, como Auschwitz — o principal símbolo da Segunda Guerra Mundial no planeta — também é um dos tours mais procurados por quem visita Cracóvia, faz todo sentido começar justamente por ele.

Ambos os locais já tem suas próprias postagens aqui no blog, então vou deixar o link de cada um deles e não entrarei em muitos detalhes aqui.

Campo de concentração de Auschwitz e Birkenau

campo de concentração auschwitz

Auschwitz é conhecido como o mais brutal e devastador campo de concentração e extermínio criado pelo regime nazista. Estima-se que, das 1,3 milhão de pessoas que passaram por seus portões, ao menos 1,1 milhão foram assassinadas ali durante a Segunda Guerra Mundial — números que ajudam a dimensionar o horror que aconteceu nesse lugar.

O complexo não era um único campo, mas sim um sistema formado por três áreas principais:

  • Auschwitz I, o campo original;
  • Auschwitz II–Birkenau, o maior e mais mortal;
  • Auschwitz III–Monowitz, ligado ao trabalho forçado em indústrias químicas.

Hoje, os visitantes têm acesso a Auschwitz I e Birkenau, onde é possível compreender um pouco do que significava viver — e tentar sobreviver — ali.

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O campo foi criado em 1940, pouco tempo depois da invasão alemã a Cracóvia. Inicialmente, os nazistas apenas converteram os antigos quartéis militares de Auschwitz I para aprisionar prisioneiros políticos poloneses. Porém, rapidamente, o local se transformou em algo muito mais terrível: um complexo industrial de morte.

Depois da guerra, em 1947, o Estado polonês transformou o local em um museu memorial, preservando as estruturas para que o mundo jamais esquecesse o que aconteceu ali. E, em 1979, Auschwitz recebeu o título de Patrimônio Mundial da UNESCO, reforçando sua importância histórica e a necessidade de manter viva a memória das vítimas.

É uma viagem difícil, mas importante de se fazer – mesmo que você não esteja tão interessado em turismo sombrio ou história. Se você quiser fazer um tour por Auschwitz, há muitas opções de tours aqui.

Mina de sal de Wieliczka

mina de sal wieliczka

A encantadora Mina de Sal de Wieliczka, famosa por suas esculturas esculpidas na rocha, sal cintilante e salões subterrâneos de cair o queixo também tem uma conexão direta com a história do Holocausto. Surpreende muita gente, já que o lugar é conhecido hoje como uma atração turística quase mágica, mas seu passado está entrelaçado com os acontecimentos sombrios da Segunda Guerra Mundial.

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Durante a Segunda Guerra Mundial, as minas de Wieliczka ganharam um papel bem diferente do que imaginamos hoje. Os nazistas levavam prisioneiros judeus de guetos e campos de concentração da região para trabalhar ali — mas não exatamente na mineração. Na verdade, a extração de sal praticamente não acontecia mais.

O objetivo era outro: usar o vasto sistema subterrâneo como um espaço secreto para fabricar armas. As galerias profundas ofereciam sigilo e ainda protegiam as operações da vigilância aérea e dos bombardeios inimigos. Era, para os nazistas, um “local perfeito” para produzir armamentos longe dos olhos do mundo.

No início, quem trabalhava na mina eram funcionários alemães, mas tudo mudou quando um deles foi morto por uma bala perdida. A partir daí, o regime decidiu que seria “mais seguro” — para eles — colocar prisioneiros judeus para fazer o serviço pesado. Assim, centenas de pessoas foram forçadas a trabalhar em condições desumanas, transformando um lugar hoje famoso por sua beleza em mais um cenário de sofrimento durante o Holocausto.

Memoriais e museus da Segunda Guerra Mundial em Cracóvia

Campo de concentração Cracóvia-Płaszów

Milhões de visitantes viajam a Cracóvia todos os anos principalmente para conhecer o memorial de Auschwitz, mas poucos sabem que outro campo de concentração nazista funcionou nos arredores da cidade: Płaszów, um local cuja história permanece viva apesar de ter sido quase totalmente destruído pelos nazistas em 1945, numa tentativa de apagar os vestígios de seus crimes. Ainda assim, o terreno preserva marcas silenciosas do horror vivido ali, e percorrê-lo hoje é uma experiência profundamente impactante.

Originalmente criado como um campo de trabalho forçado, Płaszów passou por uma transformação crucial após a liquidação do Gueto de Cracóvia, em março de 1943. Com a deportação em massa da população judaica da cidade, o local foi ampliado e convertido oficialmente em um campo de concentração. Embora menos conhecido que Auschwitz, Płaszów entrou para a memória coletiva principalmente por ter sido retratado no filme A Lista de Schindler.

Sob o comando do oficial nazista Amon Göth, a vida no campo era marcada por uma brutalidade extrema. Göth frequentemente disparava contra prisioneiros diretamente da varanda de sua casa, que tinha vista para o campo, e também soltava cães ferozes contra os detentos como forma de entretenimento. Sua gestão transformou Płaszów em um espaço de terror cotidiano, refletindo a violência sistemática da ocupação nazista.

Hoje, a área onde o campo existiu é um espaço verde, aberto ao público e semelhante a uma grande reserva natural. Visitantes podem caminhar livremente pelo terreno, onde ainda restam poucos vestígios físicos, como a antiga casa de Göth, ruínas de estruturas do campo e memoriais dedicados às vítimas.

Silencioso e carregado de significado, Płaszów é um lugar que convida à reflexão e reforça a importância de preservar a memória para que acontecimentos tão sombrios jamais sejam esquecidos.

Fábrica de Oskar Schindler

fábrica oskar schindler cracóvia

A fábrica de Schindler é um dos museus mais populares de Cracóvia para turistas. É tão popular que você tem que reservar com antecedência.

Se você ainda não está muito familiarizado com a história de Oskar Schindler, aqui vai um resumo rápido:

Schindler era um empresário alemão, nascido na Áustria, e membro do partido nazista. Durante a Segunda Guerra Mundial, ele ganhava dinheiro produzindo equipamentos para o exército alemão. Até aí, nada muito diferente de outros industriais da época. Mas o que o tornou uma figura histórica única foi justamente o que fez por trás das portas da sua fábrica.

Apesar de trabalhar para o regime, Schindler é lembrado como o homem que salvou cerca de 1.200 judeus, contratando-os para sua fábrica e, na prática, comprando a liberdade deles. Ele gastou absolutamente tudo o que tinha — fortuna, status, influência — para conseguir manter seus funcionários judeus longe dos campos de extermínio. Esse ato de coragem mudou completamente seu legado.

Por isso, Schindler foi reconhecido como Justo entre as Nações, uma das maiores honrarias concedidas a não judeus que arriscaram a própria vida para salvar judeus durante o Holocausto. E mais: ele se tornou o único membro do partido nazista a ser sepultado no Monte Sião, em Jerusalém, um gesto carregado de simbolismo e respeito.

Hoje, a antiga fábrica onde tudo aconteceu foi transformada em um museu moderno e tocante, que conta a história de Schindler e dos chamados “judeus de Schindler” — aqueles que sobreviveram graças à sua intervenção. É uma visita que mexe com qualquer um e ajuda a entender, de forma muito mais humana, um dos capítulos mais marcantes da história mundial.

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Nós já visitamos esse museu 3 vezes e sempre nos impressionamos com o local.

Vestígios do Muro do Gueto de Cracóvia

Vestígios Muro Gueto Cracóvia

Após a anexação de Cracóvia pelos nazistas e sua inclusão no Governo Geral, Hans Frank, principal autoridade da região, elaborou um plano para remover cerca de 50.000 judeus do Bairro Judeu.

Entre maio e agosto de 1940, os alemães instauraram um processo de expulsão descrito como “voluntário”, mas que, na realidade, funcionava como uma realocação forçada camuflada. Os que aceitavam partir podiam levar seus pertences e mudar-se para outras áreas do Governo Geral, sempre dentro de limites impostos pelo regime.

Até agosto de 1940, cerca de 23.000 judeus haviam deixado Cracóvia. A partir daí, a obrigatoriedade tornou-se explícita: em novembro, os nazistas proibiram a entrada de judeus na cidade e iniciaram a expulsão de mais de 40.000 pessoas que ainda permaneciam ali.

Em março de 1941, foi estabelecido oficialmente o Gueto de Cracóvia. Cerca de 16.000 judeus foram confinados a uma área extremamente reduzida, criada para comportar apenas cerca de 3.000 habitantes.

A superlotação provocou fome, doenças, escassez de recursos e condições sanitárias precárias, transformando a vida diária em uma luta constante pela sobrevivência. Sair do gueto exigia autorizações raras, e a vigilância era severa, realizada por forças alemãs, polonesas e por uma polícia judaica subordinada aos nazistas.

A liquidação do gueto ocorreu entre 13 e 14 de março de 1943, quando sua população foi deportada para campos de concentração e extermínio como Płaszów, Auschwitz e Bełżec. Esse episódio marcou um dos momentos mais violentos e trágicos da ocupação alemã em Cracóvia.

Hoje, embora a maior parte do muro que delimitava o gueto tenha sido destruída, pequenos trechos ainda permanecem preservados entre o Museu da Fábrica de Schindler e a Farmácia Eagle. Essas seções sobreviventes funcionam como memoriais silenciosos, lembrando a brutalidade desse capítulo doloroso da história da cidade e a importância de preservar sua memória.

Eagle Pharmacy

A Farmácia Águia, comandada por Tadeusz Pankiewicz, foi a única farmácia autorizada a funcionar dentro do Gueto de Cracóvia e, curiosamente, Pankiewicz era também o único polonês não judeu com permissão para circular por ali.

Embora os nazistas não quisessem a farmácia naquele espaço, acabaram permitindo seu funcionamento durante toda a existência do gueto. Mesmo assim, Pankiewicz arriscou a própria vida diversas vezes para apoiar e proteger os judeus de Cracóvia, o que torna sua história ainda mais poderosa.

Dentro daqueles muros, a farmácia não era apenas um ponto de atendimento médico. Ela se transformou em um verdadeiro centro de resistência, onde moradores trocavam informações, compartilhavam notícias e, muitas vezes, planejavam ações que desafiavam o regime opressor.

Com o tempo, o local se tornou um refúgio emocional e um ponto de esperança para quem vivia sob condições extremamente difíceis. Além disso, vale lembrar que seus auxiliares — Aurelia Danek, Helena Krywaniuk e Irena Drozdzikowska — também desempenharam papéis essenciais.

Juntos, eles ajudaram no contrabando de comida, remédios e outros itens indispensáveis, conectando o gueto ao mundo exterior. E, nos dias finais do Gueto de Cracóvia, receberam bens preciosos de moradores que seriam deportados, tentando ao menos preservar parte de suas histórias.

Hoje, visitar a Eagle Pharmacy é uma experiência marcante. O museu é pequeno, mas extremamente interativo e repleto de detalhes históricos que prendem a atenção de qualquer viajante curioso. Apesar de ser um ponto turístico bastante procurado ele costuma ser bem mais tranquilo que o famoso Museu da Fábrica Schindler.

Memorial da Praça dos Heróis do Gueto

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Do lado de fora da Farmácia Eagle, você vai encontrar um memorial impactante: 33 cadeiras de bronze espalhadas por uma ampla praça aberta, criando uma cena silenciosa e, ao mesmo tempo, profundamente tocante. Cada cadeira representa os prisioneiros do Gueto de Cracóvia e os muitos judeus da cidade que perderam suas vidas durante o Holocausto. É um daqueles lugares que fazem você parar, respirar fundo e refletir, mesmo sem ninguém pedir.

No entanto, esse memorial não escapa das polêmicas. Muita gente critica o fato de a mensagem não ser clara à primeira vista, o que acaba gerando um comportamento inesperado: visitantes sentam-se nas cadeiras, tiram fotos descontraídas ou simplesmente passam por elas sem entender o peso simbólico que carregam. E, embora isso não seja feito por mal, mostra como nem todos percebem que o objetivo das cadeiras é justamente evocar a ausência — cada assento vazio simboliza uma vida interrompida.

Ainda assim, vale muito a visita. Quando você sabe o que está vendo, tudo muda. A praça deixa de ser só um espaço bonito e se transforma em um memorial silencioso que homenageia uma comunidade inteira apagada da cidade. Para quem gosta de viajar entendendo a história além da superfície, é um ponto que merece alguns minutos extras e um olhar mais atento.

Museu da História de Cracóvia – Rua Pomorska 2

O prédio da Rua Pomorska nº 2 carrega uma história difícil de engolir, mas impossível de ignorar. Durante a Segunda Guerra Mundial, o local funcionou como prisão da Gestapo, onde homens e mulheres eram interrogados, torturados e mantidos em celas apertadas no subsolo.

Até hoje ninguém sabe ao certo quantos presos passaram por ali, ou quantos morreram naquele lugar, mas mais de 600 inscrições foram encontradas nas paredes, deixadas como últimos vestígios de esperança, medo ou simples desejo de existir.

O museu da Rua Pomorska é dividido em duas partes complementares e igualmente marcantes: a exposição permanente “Povo de Cracóvia em Tempos de Terror 1939–1945–1956” e as celas originais da antiga prisão da Gestapo. A exposição apresenta, de forma direta e emotiva, os crimes cometidos durante a ocupação nazista e também o período posterior, quando o prédio foi utilizado pela NKVD, a polícia secreta soviética. Assim, o visitante percebe que o fim da guerra não significou, de imediato, o fim da repressão. O percurso reúne relatos pessoais, fotografias, documentos e histórias de cidadãos comuns que enfrentaram perseguições, medo e violência, oferecendo um panorama profundo do impacto desses regimes sobre a população de Cracóvia.

A segunda parte — e a mais intensa — é a visita às celas subterrâneas onde prisioneiros foram interrogados e torturados. A entrada só é permitida em horários específicos, sempre acompanhada por um funcionário do museu, o que preserva o caráter sensível do espaço. As celas são pequenas, frias e silenciosas, e ostentam nas paredes mais de seiscentas inscrições: nomes, datas, orações e mensagens de resistência deixadas por quem passou por ali. É um ambiente que provoca reflexão imediata e deixa uma marca profunda em qualquer visitante.

Kazimierz – Bairro Judeu de Cracóvia

bairro judeu cracóvia

Assim como o Bairro Judeu em Praga, o Bairro Judeu de Cracóvia já foi um epicentro da cultura judaica. Na época em que os nazistas invadiram Cracóvia, havia mais de 65.000 judeus vivendo em Kazimierz.

Hoje, apenas alguns milhares de judeus vivem em Kazimierz, mas a comunidade segue em processo de reconstrução, passo a passo. Caminhar pelo bairro é perceber como o passado ainda pulsa ali: as cicatrizes da guerra estão espalhadas pelas ruas, nos prédios antigos, nos pátios escondidos e até nos pequenos detalhes que muitas vezes passam despercebidos. Ainda assim, Kazimierz vibra com vida, cultura e criatividade.

Enquanto você explora a região, vale muito a pena prestar atenção na arte de rua, que mistura memória, identidade e um toque moderno que deixou o bairro superdescolado.

Entre um mural e outro, aproveite para visitar alguns dos locais históricos que preservam e também celebram a trajetória dos judeus de Cracóvia. Afinal, esses pontos ajudam a entender como a comunidade resistiu, se transformou e continua deixando sua marca na cidade.

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Reserve: Tour pelo bairro judeu e pelo antigo gueto

Museu Judaico da Galícia

Cracóvia está cheia de museus que abordam os sofrimentos vividos pelos judeus durante a Segunda Guerra Mundial — e, claro, o Museu Judaico da Galícia também traz essa perspectiva. Porém, ele vai além: aqui, a vida, a cultura e a identidade judaica são celebradas com uma sensibilidade única. O museu mistura história, fotografia e memória de um jeito que faz você entender não só o que aconteceu, mas quem esse povo sempre foi.

A Velha Sinagoga

O nome não deixa dúvidas: essa é oficialmente a sinagoga mais antiga ainda de pé na Polônia. Durante a ocupação nazista, o prédio foi completamente saqueado, perdendo todas as obras de arte, objetos religiosos e itens históricos que guardava. Depois desse ataque cultural, os nazistas transformaram o local em um depósito de munições. E para piorar, em 1943, 30 reféns poloneses foram executados contra um de seus muros, deixando uma marca dolorosa na história do edifício.
Hoje, a Velha Sinagoga renasceu como um museu, integrante dos Museus Históricos de Cracóvia, e apresenta um panorama profundo sobre a vida judaica na cidade, desde suas tradições até suas perdas.

Sinagoga Remuh

Outra sobrevivente da guerra, a Sinagoga Remuh também foi saqueada e usada como depósito pelos nazistas, mas conseguiu atravessar o período de ocupação. O Cemitério Remuh sofreu ainda mais: muitas lápides foram destruídas e espalhadas. No pós-guerra, as partes que restaram foram reunidas para criar um “Muro das Lamentações” local, um memorial simples, mas extremamente simbólico. Ele está coberto de inscrições que homenageiam aqueles que morreram durante o Holocausto e que, de alguma forma, continuam presentes ali.

Considerações Finais

Explorar Cracóvia pelos seus locais históricos ligados à Segunda Guerra Mundial é uma jornada que mexe com a gente de verdade. Cada canto da cidade guarda uma história própria, e quando você conecta todos esses pontos, surge uma narrativa poderosa sobre resistência, dor, coragem e recuperação. Para quem quer entender a fundo o impacto do Holocausto e os crimes cometidos durante a ocupação nazista, Cracóvia oferece um itinerário inesquecível, cheio de reflexão e descobertas importantes. Além disso, caminhar por esses lugares ajuda a contextualizar tudo o que se lê nos livros. Aqui, a história parece ganhar voz.

Os memoriais e museus não só preservam as lembranças das vítimas, como também funcionam como um alerta constante sobre os riscos do extremismo, do racismo e da intolerância. Visitar esses espaços é uma experiência transformadora, porque nos aproxima de histórias reais e nos lembra da importância de manter viva a memória desse período tão sombrio. No fim das contas, viajar por Cracóvia acaba sendo uma forma de aprender, honrar e, principalmente, não esquecer, algo essencial para que tragédias assim nunca se repitam.

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