Você já deve ter lido que viajar liberta, nós mesmos já comentamos que nossa viagem de 10 meses pela Europa sacodiu nossas certezas e colocou nossa vida em perspectiva. Porém, mesmo quem vive com a mochila pronta costuma carregar alguns medos, inseguranças e expectativas que acabam limitando experiências. Curiosamente, muitos desses bloqueios aparecem de forma ainda mais clara quando lemos o livro A Coragem de Não Agradar, de Ichiro Kishimi e Fumitake Koga.
Embora não seja especificamente um livro de viagens, ele contém reflexões que transformam a maneira como nos relacionamos com o mundo e, por consequência, a forma como viajamos. Assim, neste post, reuni 5 aprendizados poderosos que podem revolucionar o seu estilo de vida viajante, deixando seus roteiros mais leves, conscientes e profundamente significativos.
Ao longo do texto, você vai perceber que cada insight pode ser aplicado tanto nas grandes aventuras quanto nas caminhadas solitárias pelo bairro ao lado. Então, prepare-se: o que vem a seguir é uma viagem interna e externa ao mesmo tempo.

1. Você é livre para escolher o que faz — inclusive a forma como viaja
Um dos pilares do livro A Coragem de Não Agradar é a ideia de que somos livres para escolher quem queremos ser a partir de agora, independentemente do passado. Para viajantes, especialmente os iniciantes, esse é um lembrete valioso. Afinal, muita gente adia viagens porque acredita que precisa ter um determinado perfil ou cumprir certas expectativas para ser considerado um “bom viajante”.
No entanto, quando entendemos que somos autores da própria vida, percebemos que podemos viajar da forma que mais combina com nossa realidade, com nosso bolso e com o que realmente desejamos. Por exemplo:
- Você pode preferir viajar devagar, sem metas de “bater ponto” em inúmeros países.
- Você tem liberdade para explorar destinos populares ou cantinhos fora do mapa.
- Você pode gostar de hostels ou se sentir melhor em hotéis confortáveis.
- Você pode planejar tudo com antecedência ou simplesmente deixar que o vento decida.
Muitas vezes, tentamos agradar os outros até na maneira como viajamos. Criamos roteiros para postar, não para viver. No entanto, quando entendemos que a vida não precisa seguir um manual, começamos a escolher viagens alinhadas ao que faz sentido para nós.
Além disso, decidir por conta própria traz uma sensação deliciosa de autonomia. Em outras palavras, deixa a jornada mais autêntica — e, principalmente, mais leve.
Como aplicar na prática
- Pare de comparar seu estilo de viagem com o dos outros.
- Defina o que você realmente gosta: praia? campo? cidade?
- Permita-se mudar de opinião, mesmo durante a viagem.
- Assuma que nem sempre você vai agradar a família, o parceiro ou os amigos — e tudo bem.
Esse é o primeiro passo para viajar com verdade.
2. As expectativas dos outros não são sua responsabilidade
Outro ensinamento marcante do livro A Coragem de Não Agradar é o conceito das “tarefas”: entender o que é responsabilidade sua e o que é dos outros. Esse insight é transformador para quem vive experiências pelo mundo, porque sentir culpa por não atender às expectativas alheias é mais comum do que parece.
Quando você decide fazer uma viagem solo, por exemplo, é provável que alguém diga:
“Mas isso não é perigoso?”
“E se acontecer alguma coisa?”
“Por que você não viaja com alguém?”
Essas reações geralmente refletem medos das outras pessoas, não os seus. Ainda assim, muitos viajantes carregam o peso emocional de precisar justificar suas escolhas. Entretanto, quando você compreende que cada um é responsável por suas próprias expectativas, algo muda lá dentro. De repente, você percebe que não tem obrigação de atender ao imaginário de ninguém.
Isso não significa desconsiderar quem você ama, mas sim reconhecer limites saudáveis entre o que é sua tarefa e o que pertence ao outro. Durante uma viagem, essa consciência permite que você:
- Decida seus horários e seus interesses sem culpa.
- Faça escolhas mais alinhadas ao que deseja viver.
- Prove coisas novas, mesmo que outras pessoas não entendam.
- Sinta-se mais confiante, inclusive para viajar sozinho.
Além disso, ao se libertar dessas pressões, você abre espaço para que a viagem seja realmente sua, não um roteiro baseado em expectativas externas.
Como aplicar na prática
- Se alguém opinar demais, pergunte-se: “Isso pertence a mim ou ao outro?”
- Explique suas escolhas apenas quando fizer sentido, não por obrigação.
- Observe como seu corpo reage quando tenta agradar alguém.
- Lembre-se: você é responsável pelas suas ações, não pelas emoções alheias.
Viajar sem esse peso é quase libertador — e transforma a experiência por completo.
3. Relacionamentos saudáveis tornam as viagens mais leves
Um capítulo importante do livro A Coragem de Não Agradar discute como as relações humanas são baseadas em cooperação, não em competitividade. Essa perspectiva, quando levada para o universo das viagens, ajuda a evitar conflitos, frustrações e expectativas irreais, especialmente quando viajamos acompanhados.
Muita gente já passou pela experiência de viajar com alguém que queria controlar tudo ou que não se abria para a colaboração. Porém, quando entendemos que viajar é um ato coletivo de construção, percebemos que relacionamento saudável também significa:
- dividir decisões,
- comunicar preferências,
- negociar limites,
- respeitar tempos diferentes.
Além disso, quando você coopera, evita disputas bobas sobre quem escolhe o restaurante, quem planeja o passeio ou quem errou o caminho. Isso não só melhora a convivência, mas também deixa a viagem mais fluida.
Por outro lado, também existe um aspecto importante para quem viaja sozinho. Mesmo solo, você encontra pessoas pelo caminho — e interage o tempo todo. Por isso, desenvolver a habilidade de criar diálogos leves e respeitosos transforma completamente a experiência. Afinal, são essas conversas imprevistas que muitas vezes viram memórias inesquecíveis.
Como aplicar na prática
- Antes de viajar com alguém, alinhe expectativas.
- Combine limites claros, como horários e necessidades pessoais.
- Incentive um ambiente de cooperação, não de competição.
- Se viajar solo, pratique conversas simples com desconhecidos.
No final, você vai perceber que relacionamentos saudáveis são tão importantes quanto o destino em si.
4. O presente é o único tempo que você realmente vive
Um dos ensinamentos mais poéticos do livro A Coragem de Não Agradar é que a vida acontece no agora. Embora pareça óbvio, essa virada de chave muda completamente a maneira como você vive uma viagem.
Quantas vezes você já se pegou preocupado com o próximo destino enquanto ainda estava curtindo o atual? Ou revisitando mentalmente decisões que já aconteceram? Ou, pior, deixando de aproveitar momentos incríveis porque estava tentando tirar “a foto perfeita”?
Quando você entende que o presente é o único momento que existe, começa a saborear a viagem de forma muito mais completa. Além disso, passa a perceber detalhes que antes passavam despercebidos: o cheiro das ruas, o som do mercado local, o sorriso de quem lhe dá informações, a textura da comida típica, a vista inesperada que surge ao virar a esquina.
Viajar com presença muda tudo:
- Você se sente mais leve.
- Você faz escolhas com mais atenção.
- Você absorve melhor cada experiência.
- Você cria memórias reais, não apenas registros fotográficos.
Ainda mais importante: viajantes presentes têm conversas melhores, aprendem mais com as culturas locais e criam conexões mais profundas com as pessoas e com os lugares.
Como aplicar na prática
- Faça pausas conscientes durante a viagem.
- Olhe para os detalhes ao invés de correr para o próximo ponto turístico.
- Desconecte-se um pouco das redes sociais.
- Faça pelo menos um passeio sem pressa, apenas caminhando.
Assim, você transforma a viagem em algo vivo, não em uma lista de tarefas.
5. A vida — e as viagens — ganham sentido quando você escolhe seu propósito
O livro A Coragem de Não Agradar discute que o sentido da vida não é algo que você encontra de forma mágica; é algo que você atribui. Da mesma forma, o sentido de viajar também não nasce sozinho. Ele cresce quando você decide o que quer buscar no mundo.
Algumas pessoas viajam para descansar. Outras, para estudar. Outras, para se desafiar. Muitas, para se reencontrar. E tem quem viaje simplesmente porque ama se perder pelas ruas de cidades desconhecidas — e tudo isso é válido.
A questão é: o que você quer buscar quando viaja?
A resposta muda completamente a forma como você monta seus roteiros, como escolhe seus destinos e até como lida com imprevistos.
Além disso, viajar com propósito deixa a experiência mais profunda, porque cada momento passa a ter significado. Os perrengues ganham cor, os imprevistos viram histórias e até a comida que não agradou vira lembrança.
Lembre-se: você não precisa de um propósito “grandioso”. Seu propósito pode ser descansar a mente, provar comidas diferentes, aprender um idioma, praticar a coragem ou simplesmente ver o mar. O importante é que ele seja seu — não do Instagram, não dos amigos, não dos críticos de viagem.
Como aplicar na prática
- Antes de cada viagem, pergunte-se: “O que eu quero sentir?”
- Ajuste seu ritmo de acordo com o propósito escolhido.
- Permita-se mudar de propósito no meio da viagem, se fizer sentido.
- Não se compare com o propósito dos outros viajantes.
Quando você dá significado à jornada, ela se torna inesquecível.
Conclusão
O livro A Coragem de Não Agradar não é um guia de viagem, mas funciona como um mapa interno para quem deseja viver o mundo de forma mais autêntica. Ao aplicar esses cinco aprendizados, você se liberta de expectativas, medos e comparações que só pesam na mochila.
Além disso, você descobre que viajar não é apenas sobre deslocamento; é sobre autonomia, presença, cooperação, propósito e, acima de tudo, liberdade. Afinal, quando você escolhe viver a própria vida com coragem, cada viagem se torna mais verdadeira — e infinitamente mais especial.






