Obsessão por viagens e vício em viajar são termos frequentemente pesquisados no Google. É justo dizer que muitas pessoas são verdadeiramente apaixonadas por viagens e que isso traz um senso de significado para suas vidas.
Mas quando a paixão se transforma em obsessão? Quais seriam os sinais de um vício em viagens? Viajar “demais” pode ter um impacto negativo sobre nós?

O que é um vício?
Os vícios são altamente prevalentes na sociedade moderna. As pessoas são mais comumente viciadas em substâncias ou álcool. As pessoas também podem desenvolver vícios em uma série de comportamentos, que comumente incluem jogos de azar, compras, uso da internet e sexo.
No guia de CID – Código Internacional de Doenças, “vicios” é um termo não-técnico usado para descrever transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de substâncias psicoativas ou comportamentos compulsivos.
Existem alguns componentes-chave em todos os vícios. O padrão geralmente segue esta lógica:
- O comportamento começa como algo prazeroso.
- Com o tempo, o prazer diminui, mas a pessoa continua repetindo a ação.
- A motivação deixa de ser o prazer e passa a ser o hábito, a compulsão ou a falta de controle.
No caso de substâncias, o corpo desenvolve tolerância e passa a exigir doses maiores. Se a pessoa para de usar, enfrenta sintomas de abstinência.
Já nos vícios comportamentais, o impacto aparece em forma de prejuízos na vida social, profissional, financeira e emocional.
Existe vício em viajar?
Tecnicamente, “vício em viajar” não é reconhecido como um transtorno clínico. O termo usado para descrever essa compulsão é ecdemomania, mas ela não aparece em manuais diagnósticos oficiais, como o CID ou o DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais).
Apesar disso, muitas pessoas relatam sentir um desejo incontrolável de estar em movimento, explorando novos lugares e evitando permanecer em um só lugar. Isso levanta a questão: será que é apenas uma paixão intensa ou pode realmente se transformar em um problema?
Quando a paixão vira preocupação
Viajar só se tornaria um vício caso apresentasse características como:
- Falta de prazer: você já não curte mais as viagens, mas sente que precisa continuar.
- Impacto negativo: suas viagens prejudicam suas finanças, relacionamentos ou saúde.
- Comportamento arriscado: você aceita situações perigosas ou ilegais só para viajar.
- Falta de controle: mesmo querendo parar, você não consegue.
Se esses sinais aparecem, é hora de buscar ajuda profissional. Afinal, até algo maravilhoso como viajar pode virar uma armadilha.
O que é uma obsessão?
Quando as pessoas pensam em obsessão por viagens, o que querem dizer com isso é que pensam muito em viagens e são apaixonadas por elas. É claro que isso em si não é necessariamente algo ruim. Para responder ao que a obsessão por viagens realmente significa, precisamos pensar no que significa ter uma obsessão.
Obsessões são pensamentos angustiantes que surgem em nossas mentes de forma intrusiva e indesejada. Esses tipos de pensamentos são muito comuns em transtornos de saúde mental, como o Transtorno Obsessivo-Compulsivo. Mas quando falamos de viagens, geralmente é algo positivo: entusiasmo, expectativa, alegria.
Fora dos critérios diagnósticos, o termo obsessão é usado para descrever quando alguém está intensamente interessado em algo ou alguém, e isso vai além do que a maioria das pessoas vivencia. Esses tipos de obsessões são prejudiciais porque costumam ser rígidas e têm um impacto prejudicial na vida da pessoa.
Por exemplo, estar intensamente interessado em uma atividade ou interesse a ponto de a pessoa começar a negligenciar outros aspectos de sua vida, incluindo trabalho, relacionamentos e até mesmo suas próprias necessidades básicas. É aqui que a paixão se torna prejudicial.
O que pode levar a vícios e obsessões?
Os vícios podem começar com comportamentos que usamos para evitar sentimentos e emoções difíceis. É por isso que os vícios podem surgir durante um período de estresse ou após eventos difíceis da vida. As pessoas podem recorrer a substâncias ou comportamentos como forma de tentar controlar ou anular seus sentimentos.
Formas comuns de escapar de sentimentos são o uso de álcool, drogas, jogos de azar, consumo de alimentos com alto teor calórico, videogames e uma série de outros comportamentos que fornecem um foco que nos absorve e nos ajuda a evitar nossos sentimentos temporariamente.
Se não aprendermos maneiras mais saudáveis de lidar com emoções difíceis, corremos o risco de uma série de problemas de saúde mental, incluindo vícios.
Maneiras mais saudáveis de lidar com a situação incluem estratégias como exercícios, resolução de problemas e aprender maneiras de lidar com sentimentos difíceis que funcionem para você. Isso também inclui desenvolver e manter relacionamentos de confiança, nos quais você possa compartilhar seus sentimentos.
Ecdemomania: a mania de viajar
A ecdemomania é um termo pouco conhecido, mas intrigante. Ele descreve uma compulsão por viajar, uma necessidade quase irresistível de estar em constante movimento.
Pessoas que se identificam com esse perfil relatam sentir ansiedade ou desconforto quando ficam muito tempo no mesmo lugar. É como se o mundo fosse pequeno demais para caber dentro de um único endereço.
Ainda que não seja reconhecida oficialmente como um transtorno, a ecdemomania gera discussões interessantes sobre como a nossa sociedade moderna pode incentivar esse comportamento. Afinal, nunca foi tão fácil comparar preços de passagens, acompanhar destinos pelo Instagram e se inspirar com blogueiros de viagem.
Sinais de alerta: quando viajar deixa de ser saudável
Viajar é incrível, mas se você se identifica com alguns desses comportamentos, pode ser hora de repensar sua relação com a estrada:
- Viajar além do que pode pagar, acumulando dívidas.
- Quebrar promessas pessoais, como se hospedar em locais perigosos só para economizar.
- Descuidar da saúde, ignorando alimentação adequada e descanso.
- Tomar riscos desnecessários, como violar leis locais ou se expor a situações perigosas.
- Negligenciar relacionamentos, afastando-se de amigos e familiares.
Esses sinais não significam, necessariamente, que você tem um vício. Porém, indicam que talvez seja importante encontrar equilíbrio.
Se você notar algum destes sintomas, siga estes conselhos
- Converse com alguém de confiança sobre como você está se sentindo. Isso ajudará você a entender o que está acontecendo e a planejar seus próximos passos.
- Considere consultar um terapeuta para conversar sobre como você está se sentindo e começar a lidar com comportamentos problemáticos.
- Considere retornar para onde você considera seu lar por um período de tempo.
Conclusão
Viajar pode ser uma ferramenta maravilhosa para alcançarmos o crescimento pessoal, recarregar nossa curiosidade e criatividade e nos proporcionar significado e prazer.
A ecdemomania, ou suposto “vício em viajar”, não é uma doença oficialmente reconhecida, mas nos convida a refletir: estamos viajando por amor à experiência ou apenas fugindo de algo?
Se a viagem é uma paixão saudável, que nos enriquece e fortalece, continue com a mochila pronta! Mas, se ela se transforma em compulsão que traz prejuízos, talvez seja hora de parar, respirar e olhar para dentro.
No fim das contas, o segredo está em equilibrar o mundo externo com o nosso mundo interno.






